Tuesday, February 24, 2015


        

          SE MEUS OLHOS PUDESSEM VER NA ESCURIDÃO

 Ao ver uma foto clara do fundo do mar embaixo de uma onda que deslizava seu destino a caminho da praia, fiquei surpresa com  tamanha beleza e me lembrei das tantas vezes que, com o coração acelerado, mergulhei embaixo de enormes ondas nas praias do Rio. Nunca abri os olhos la em baixo, portanto nunca vi a beleza e a paz do fundo do mar enquanto a onda passava por cima de mim. Deitava todo o meu corpo no fundo, de forma a ficar com minha barriga toda encostando na areia. E lá em baixo era escuridão. E vinha da alma uma pequena prece – Me ajuda meu Deus ! Dava medo, muito medo, e fico pensando como a gente tem coragem quando jovens. E por fim a onda passava sem me embrulhar, e eu subia a tona feliz, e respirava aliviada por alguns segundos até perceber uma onda ainda maior marolando adiante. Sempre ouvi dizer que as grandes ondas vêm em 3, assim como a morte de pessoas que conhecemos, e logo aprendi que era verdade sim.  Depois da terceira onda, eu nadava lá pra fora, e agora sim, era só marola, onde não mais seria apanhada de surpesa por uma gigantesca onda. Estava agora na zona de proteção. Boiava, nadava , mergulhava como um golfinho feliz. Mas sempre tinha a volta. Ai a volta!  Para retornar a praia eu tinha que passar pela zona das grandes ondas.

   Desfrutar a maioria dos grandes prazeres da vida requer retorno, como voltar a praia depois do mergulho, tem riscos, como se embrulhar na onda e beber muita agua salgada, mas tem o lembrar pra sempre, que faz os riscos valerem a pena.

Assim como mergulhar no fundo do mar,  penso que ficaria surpresa com a  beleza e poesia ao redor em momentos de medo que passamos pela vida. Mas se ao menos, no meio da escuridão, eu pudesse abrir os olhos.