Wednesday, September 24, 2014

REALIDADE SEM POESIA


                             Preciso prestar bem atenção, para que devagarinho e sorrateiramente a realidade não comece a deslizar para aquele lugar onde não há  poesia. Então me encontro nesse mundo preto e branco, onde pão é pão e queijo é queijo. Muito perigoso isso. Correntes, essas malditas correntes invisíveis, que aos poucos me amarram inteira, fazendo a poesia escorregar,  se fazendo quase que ausente, enquanto a realidade  impõe suas demandas. E eu nem sinto. Quando vejo, ja estou lá.

Resgatar a poesia requer puxar a qualquer custo a magia de existir de dentro do cotidiano, observar os tantos detalhes, considerar o inexplicável, mudar de idéias, me refazer a cada dia evitando assim aquele velho padrão que me mantém refém da minha personalidade, dos meus habitos e da rotina que me engole em afazeres intermináveis, que penso ser tão importantes, e ainda minha mente acredita.

Tirar a bola congelada no tempo, e jogá-la para o alto e esperar voltar, descongelar a criança e deixa-lá solta, sem limites. Andar na chuva e ver a poça, mas também a árvore refletida nela. Ver a árvore, mas procurar o pássaro que se esconde em suas folhas. Olhar o céu e ver as formas engraçadas que as nuvens fazem, os desenhos que formam, e ver as plantas de boca aberta esperando suas águas. Ver o simples no complicado. Ver o jovem rapaz no rosto envelhecido do meu companheiro, bem ali atras daquelas rugas do tempo. E conectar com ele.

A poesia se camufla em toda parte, se esconde como criança brincando, e cabe a mim prestar atenção, para não ignorar suas peraltices e me render as ilusões da realidade.

5 comments: